Trekking em São Tomé e Príncipe | Caminhadas na Floresta do Cacau, 9 Dias
Da floresta primária do Obô à linha do Equador · nível 2/3, 2h30 a 5h de caminhada por dia · grupo máximo de 12
A viagem
Há ilhas que se veem da estrada. Esta vê-se a pé.
São Tomé é uma ilha vulcânica coberta de floresta, com trilhos que sobem dos 0 aos 1.400 metros em poucos quilómetros, caminhos abertos há mais de um século para servir as roças de cacau e de café, e uma costa sul praticamente sem estradas. É um terreno de caminhada raro: húmido, denso, endémico — e quase sem ninguém.
Este é um circuito pedestre de 9 dias, de nível 2/3, com etapas diárias entre 2h30 e 5h. Sobe-se do jardim botânico de Bom Sucesso à cratera da Lagoa Amélia, atravessa-se floresta primária dentro do Parque Natural Obô, percorrem-se antigos caminhos das roças do norte até ao mar em Neves, caminha-se por entre cacaueiros à sombra dos fromagers gigantes, desce-se ao sul selvagem por praias desertas até à foz do Rio Malanza, e acaba-se no Ilhéu das Rolas, a pé, sobre a linha do Equador — com um pé em cada hemisfério.
O que se vê pelo caminho não está nos guias: marmulanos e orquídeas selvagens que só existem aqui, begónias gigantes, o Pico Cão Grande a levantar-se 663 metros acima da floresta, cascatas onde se toma banho no fim da etapa, e as roças — Monte Café, Santa Luzia, Água Izé — que são cidades inteiras devolvidas à floresta.
Dorme-se em três sítios diferentes e propositadamente distintos: um hotel de charme na cidade, uma antiga roça de cacau recuperada no meio da floresta, e um ecolodge à beira da praia no sul. Come-se comida da ilha, feita na hora, nas casas de quem cá vive.
O grupo tem no máximo 12 pessoas e é acompanhado por um guia da agência e por guias locais que conhecem os trilhos e a botânica da ilha. Os voos partem de Lisboa, sem escala e sem diferença horária — seis horas e meia depois, está-se no princípio do primeiro trilho.
Itinerário
Dia a dia
Dia 1
Dia 1 · Lisboa ✈ São Tomé — chegada e primeiros passos
Voo direto de Lisboa, com cerca de 6h30 e sem diferença horária, e chegada ao final da tarde. Receção pelo guia da agência, apoio no câmbio e transfer para o hotel na cidade de São Tomé. Jantar de boas-vindas com apresentação do percurso, do material necessário e do ritmo dos próximos dias. Sem caminhada. Alojamento na cidade.
Dia 2
Dia 2 · Aclimatação: a baía de Ana Chaves e a costa da capital
Primeira etapa, curta e fácil, para ganhar pé e perceber o calor: cerca de 2h30 a pé pela marginal e pela baía de Ana Chaves, com passagem pelo Forte de São Sebastião e pelo centro histórico, e continuação por trilho costeiro para fora da cidade. Terreno plano, sem desnível relevante. À tarde, tempo para descansar e afinar o equipamento. Alojamento na cidade.
Dia 3
Dia 3 · Obô: de Bom Sucesso à Lagoa Amélia (etapa rainha)
A etapa mais exigente do circuito, e a razão pela qual muita gente vem. Partida do jardim botânico de Bom Sucesso, a cerca de 1.150 metros, e subida por floresta primária dentro do Parque Natural Obô até à cratera da Lagoa Amélia, a cerca de 1.400 metros — uma antiga cratera vulcânica cujo fundo está hoje coberto por um tapete vegetal flutuante, onde se caminha sobre a própria vegetação. Cerca de 5h de caminhada, aproximadamente +400 m e −400 m de desnível, em terreno de lama, raízes e degraus naturais, quase sempre à sombra do dossel. Pelo caminho, a botânica endémica da ilha: marmulanos, begónias gigantes, orquídeas selvagens e fetos arbóreos. Descida para a Roça Monte Café, antiga roça de café de altitude, com prova do arábica produzido ali. Alojamento na cidade.
Dia 4
Dia 4 · Norte: os caminhos das roças até ao mar, em Neves
Etapa mista de floresta e litoral, cerca de 4h, com desnível moderado. Percorrem-se antigos caminhos de serviço que ligavam as roças do norte à costa, entre plantações abandonadas e vegetação secundária, até desembocar na vila piscatória de Neves, encostada ao mar, onde se almoça peixe e santola acabados de chegar. No regresso, paragem na Lagoa Azul, de água transparente sobre rocha vulcânica, e na rota dos embondeiros centenários que se levantam sozinhos na paisagem seca do norte. Alojamento na cidade.
Dia 5
Dia 5 · A pé pela Rota do Cacau até à Roça Santa Luzia
Cerca de 4h de caminhada entre cacaueiros, à sombra dos fromagers — as árvores gigantes que protegem o cacau —, por caminhos de roça e trilhos de floresta secundária. Desnível suave. Chegada a pé à Roça Santa Luzia, uma antiga roça de cacau recuperada no meio da floresta, onde se acompanha o percurso da fava desde a colheita até à secagem, e se prova a polpa branca do fruto acabado de abrir. Jantar e noite na própria roça, com o barulho da floresta à volta.
Dia 6
Dia 6 · Descida ao sul: praias desertas até à foz do Rio Malanza
Descida ao sul da ilha, a zona mais verde e menos povoada, com paragem no miradouro sobre o Pico Cão Grande, o monólito vulcânico que se levanta 663 metros acima da floresta. Etapa costeira de cerca de 3h30, por praias desertas e trilhos entre a mata e o mar, até à foz do Rio Malanza e aos seus mangais. Instalação no Ecolodge Inhame, à beira da praia. Banho de mar ao fim da etapa e jantar no lodge.
Dia 7
Dia 7 · O trilho do rio e o Equador a pé, no Ilhéu das Rolas
Manhã de caminhada fluvial, cerca de 2h ao longo do Rio Malanza, seguida de um percurso de barco pelos mangais com guias locais, entre raízes, aves e silêncio. À tarde, travessia de barco até ao Ilhéu das Rolas e subida a pé ao Marco do Equador, mandado erguer por Gago Coutinho: o ponto exato onde se está com um pé em cada hemisfério. Tempo nas praias do ilhéu antes do regresso. Jantar e noite no Ecolodge Inhame.
Dia 8
Dia 8 · Praia Piscina, o mercado e o voo de regresso
Manhã livre no sul, com a Praia Piscina a poucos minutos — piscinas naturais de água morna entre as rochas, que enchem e esvaziam com a maré — para a última manhã de mar. Regresso à cidade e visita ao Mercado Central de São Tomé, entre fruta, raízes, especiarias e flores tropicais, para as últimas compras. Jantar de despedida e transfer para o aeroporto, com voo noturno de regresso.
Dia 9
Dia 9 · Chegada a Lisboa
Chegada a Lisboa de manhã cedo, com as botas por lavar e a ilha inteira percorrida a pé.
O que está incluído
- Voos Lisboa–São Tomé, ida e volta, com taxas de aeroporto e bagagem incluídas
- Guia da agência a acompanhar o grupo durante toda a viagem
- Guias locais nas etapas de caminhada, com conhecimento dos trilhos e da botânica da ilha
- Grupo reduzido, com um máximo de 12 participantes
- 8 noites de alojamento: hotel de charme na cidade de São Tomé, Roça Santa Luzia e Ecolodge Inhame
- Regime de meia pensão, com pequeno-almoço e jantar todos os dias e os almoços indicados no itinerário
- Todas as etapas de caminhada descritas, com apoio de viatura 4x4 nos acessos e transfers
- Entrada no Parque Natural Obô e no jardim botânico de Bom Sucesso
- Travessia de barco para o Ilhéu das Rolas e subida ao Marco do Equador
- Passeio de barco pelos mangais da foz do Rio Malanza, com guias locais
- Visita à Roça Monte Café, com prova de café, e Rota do Cacau na Roça Santa Luzia
- Seguro de viagem
- Água durante as etapas de caminhada
O que não está incluído
- Suplemento de quarto individual (sob consulta, sujeito a disponibilidade)
- Almoços não indicados no itinerário
- Bebidas às refeições
- Taxa turística de 2,10 € por pessoa e por noite, paga em dinheiro no aeroporto à chegada
- Equipamento pessoal de caminhada (botas, bastões, mochila, impermeável)
- Despesas de caráter pessoal, lavandaria e gratificações
- Tudo o que não esteja mencionado como incluído
Perguntas frequentes
Aclaramos todas as dúvidas
Observações
Preço por pessoa em quarto duplo: 2.900€. Suplemento de quarto individual sob consulta, sujeito a disponibilidade.
Nível 2/3. Etapas diárias entre 2h30 e 5h de caminhada, com desníveis até cerca de 400 metros positivos na etapa mais exigente (Bom Sucesso–Lagoa Amélia). Terreno tropical, frequentemente húmido e escorregadio, com lama, raízes e degraus naturais. É necessária uma condição física regular e experiência prévia de caminhada em terreno irregular. Recomendam-se botas de caminhada com boa aderência, bastões, impermeável leve e mochila de dia.
As durações e os desníveis indicados são estimativas de referência e podem variar com as condições do terreno, a meteorologia e o ritmo do grupo. As etapas podem ser encurtadas, trocadas ou substituídas por decisão do guia sempre que as condições o justifiquem, nomeadamente em caso de chuva forte.
Melhor época: a gravana, a estação seca, entre junho e setembro, é a altura mais favorável para caminhar na ilha — trilhos mais firmes e céu mais limpo. Há uma segunda janela mais seca em janeiro e fevereiro, a gravanita.
Grupo reduzido: máximo de 12 participantes; a partida realiza-se com um mínimo de 2 inscritos.
Documentação: passaporte válido e, quando aplicável, visto ou registo eletrónico. Cidadãos portugueses estão isentos de visto para estadas curtas. A vacina da febre-amarela é recomendada e pode ser exigida consoante o país de origem ou de escala.
